A família Rodrigues sempre foi muita unida. Janete, mãe solteira e coruja, é quem sustenta a casa com diversos trabalhos, quase sempre com linha e agulha nas mãos, para dar um futuro melhor para seus três filhos. Mas foi em julho de 2011, que a vida de todos mudou. Após a inauguração da Casa de Cultura e Cidadania de Novo Hamburgo, Janete tratou logo de matricular os filhos nos cursos de circo e dança. Junto com inscrição dos três no projeto, mais uma oportunidade batia em sua porta: surgiu a vaga de auxiliar de serviços gerais na unidade, que possibilitaria o aumento da renda familiar e o acompanhamento próximos dos filhos. E conseguiu! Em maio desse ano foi contratada pela Casa de Cultura e Cidadania. ”Hoje estou mais feliz. Estou economizando para comprar minha casa própria e os meninos estão traçando seus caminhos, com a ajuda do projeto”, diz emocionada Janete Rodrigues.

Desde pequena, Francine Barcellos, arte educadora da Casa de Novo Hamburgo, dançava e ensaiava pequenos passos. Aos três anos de idade, por indicação médica, para tratamento de bruxismo, começou a ter aulas de balé. Nunca mais parou.
Aos 14 anos de idade já era professora substituta de dança na escola EDAHFIS – Escola de Artes e Habilidades Físicas -. Tudo estava indo perfeitamente bem. Apenas uma coisa a deixava muito triste: ver as pessoas carentes de sua região sofrendo. ”Meu coração ficava apertado sempre que pensava nisso. O que fazer? Como ajudar? Era uma coisa que martelava na minha cabeça”, conta Francine.
Foi então que a Casa de Cultura e Cidadania surgiu em sua vida. “Depois que entrei na Casa, comecei a ajudar mais as pessoas da minha região, dando minhas aulas e orientado meus alunos no projeto. Posso afirmar, com toda a certeza, que fiz a escolha certa. A dança e a Casa fizeram meu sonho e ideais se tornarem realidade”, afirma a arte educadora.

Bruna Monteiro. 17 anos, decidida e muito madura para sua idade. Frequenta a Casa de Cultura e Cidadania desde 2009. Dona de dotes artísticos desde que entrou na Casa, nos cursos de dança e circo, hoje Bruna participa do FIC Cultura, que está lhe rendendo bons frutos. Em abril, foi convidada a participar do 1º Sarau de Exposições da unidade São José do Rio Pardo. Os desenhos expostos no evento, do qual rapidamente aceitou fazer parte, surpreendeu a todos, principalmente a bela criação de uma índia – seu preferido.

A exposição foi um sucesso. Todos que estavam presentes puderam notar o sorriso e a felicidade que transbordava daquela garota, hoje realizada. “Ter meu trabalho exposto é muito gratificante. Sempre tive vergonha de mostrar meus desenhos, hoje estou muito feliz”, conta.

 

 

“Senti muito orgulho quando fui para a Casa de Cultura e Cidadania para trabalhar e não mais como participante do projeto. Meu primeiro salário foi uma alegria enorme, pude comprar algo pra mim pela primeira vez”.
Aluno desde 2009 do curso de artes visuais na unidade Osasco, Ishmael Luan da Lomba, 17 anos, neste ano de 2012 tornou-se monitor do mesmo curso que participou na Casa. Mas para chegar a dar aulas para cerca de 35 crianças e jovens no projeto, Ishmael percorreu um longo caminho, que, na maioria das vezes, não foi fácil. Jovem esforçado, cheio de ideias, religioso e um pouco tímido, enfrentou seu pai para poder participar do projeto e teve muita dificuldade em se adaptar na Casa. “No começo pensei que não iria me encaixar, mas conforme o tempo passou, vi que conseguiria sim e que isso era minha vida”.

Na sua primeira apresentação, feita durante a Mostra de Atividades em 2010, com todos os presentes aplaudindo e vibrando pelo seu grupo, percebeu que ali era seu lugar, que era (aquilo) o que queria para sua vida. Começou a compor músicas e a cantar e, quando menos esperava, foi convidado para trabalhar como monitor de artes visuais na Casa. “Foi ali, naquela apresentação, que pude perceber que eu poderia ser muito mais. Hoje eu penso em cursar uma faculdade e crescer cada vez mais. Tudo graças a Casa de Cultura e Cidadania.”

Virgínia Cestari Marson gosta mesmo é de ser chamada de “Dona Virgínia”. Mulher esforçada, trabalhadora, de fibra e de grande fé, dona Virgínia sempre batalhou por melhorias para sua família. Em 2010, ouviu na rádio da cidade de Barra Bonita a divulgação dos cursos de geração de renda da Casa de Cultura e Cidadania e não perdeu a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos artesanais.

Mas logo um ano depois, em 2011, recebeu o golpe mais duro de sua vida: a perda de seu marido. E o acúmulo de tarefas começou a atrapalhar seus estudos na Casa. Os amigos e colaboradores do projeto pediam todos os dias para que ela voltasse para o curso. Levantou a cabeça e resolveu continuar nas oficinas de geração de renda. Acorda todos os dias as 4h para dar conta de suas tarefas e ainda ajudar seu filho. Com 59 anos, Dona Virgínia borda, faz crochê, pulseiras e demais peças artesanais, utilizando todos os dotes que aprendeu nas oficinas. “Eu vendi muitas coisas, vendi cerca de 10 colares recentemente. Essa renda extra me ajuda e muito!”

Carlos Roberto Barbosa. Educador da Cia Cênica Aruanã de São José do Rio Pardo e antigo arte-educador da Casa de Cultura e Cidadania. Essa é uma história de amor, carinho e força de vontade acima de tudo. Carlos começou a trilhar seu caminho na arte circense ainda menino. Seus pais eram de família oriunda do circo e do picadeiro, local em que vivenciou a arte de representar. Porém, não foi ali que ele aprendeu a ser o que é hoje.

Os métodos de ensino eram “extremos” e não aceitavam erros. Percebeu que aquela não era a forma correta de ser ensinado e disse em alto e bom som: “Eu vou aprender, mas não dessa maneira!”. E aprendeu mesmo. No começo, montou um grupo teatral religioso, em que fazia pequenas apresentações em igrejas, no qual conseguiu se estabelecer com um grupo teatral de certo sucesso. Mas foi em uma apresentação na feira de profissões na UniFran (Universidade de Franca), que sua vida mudou completamente.

Durante a apresentação, o olheiro do Cirque du Soleil estava presente e ficou maravi-lhado com seu desempenho. A apresentação que rendeu um convite para fazer parte do conjunto de artistas do circo, mas na Rússia. Partiu para a Rússia e, em Moscou, se surpreendeu com os avançados métodos de aprendizagem e, principalmente com o frio devastador, muito mais intenso do que imaginava. “Na primeira semana fiquei doente, com uma pneumonia muito forte e minhas unhas caíram todas.” As dores dos treinamentos, o frio intenso e a saudade dos familiares e amigos eram dolorosos demais. Foi durante seus devaneios e pensa-mentos que refletiu: “Eu posso ser mais do que um simples artistas de circo”. Decidido, arrumou suas malas e partiu de volta para a terra natal, Itirapuã, interior de São Paulo. Logo após sua chegada, passou por um processo seletivo e começou a fazer parte da Casa de Cultura e Cidadania de São José do Rio Pardo. “Cheguei na Casa de Cultura e fiquei encantado com o projeto, com as crianças e com o espaço fornecido”.

Na Casa de Cultura e Cidadania, ele finalmente pode por em prática o que estava planejando, ensinar com amor e muito carinho o que ele aprendeu durante sua vida no circo. “Hoje vejo meus ex-alunos trabalhando com circo, se profissionalizando. Eles estão em renomados circos, espalhando o nome da Casa de Cultura e Cidadania”.

Março de 2011. A maioria das pessoas pouco lembra o que fez ou aconteceu nesse período, mas para André Luiz é o início de uma nova etapa em sua vida. Essa data marca a matrícula do menino de 15 anos nos cursos de Teatro e Projetos, da Casa de Cultura e Cidadania de Caconde.
Segundo sua mãe, Sirlene Magalhães Mendes, antes de fazer parte da Casa, André vivia em um mundo imaginário, onde amigos e lugares mágicos brotavam em sua mente o tempo todo. Chorava muito e era solitário, ficava contente apenas quando estava em casa.
Mas essas características tinham uma razão de existir. Com nove anos, foi diagnosticado que ele possuía Síndrome de Asperger, uma doença que traz transtorno de múltiplas funções do psiquismo e na área de relacionamento interpessoal, gerando dificuldade de interação social e em processar e expressar emoções, entre outras coisas.
Apesar de sua doença, André sempre se mostrou solicito e interessado nas atividades da Casa. E, em apenas três meses de trabalho, exercícios e ensaios, André, no espetáculo “Elementos que Transformam”, fez o seu papel na apresentação com confiança e total autonomia.
A partir de então, começou a interagir com os colegas, a entender as brincadeiras e até a fazer piadas com os amigos reais. A força de vontade e superação em cada barreira quebrada teve muito valor para ele.
“Depois que ele começou a frequentar a Casa e o curso de teatro, André melhorou muito o relacionamento com as pessoas. Deixou de ficar irritado e nervoso, passou a questionar e entender melhor o mundo e as pessoas. Hoje com a ajuda de todos da unidade, ele não se isola mais, não sente dor, está mais independente e amoroso” diz Sirlene Mendes.
Hoje, o mundo imaginário de André tornou-se realidade, os amigos, outrora imaginários, agora são reais e a sua história é tão verdadeira quanto o brilho de seus olhos a cada espetáculo que apresenta.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.